Por g1 Goiás
A alectomia, um procedimento estético para afinar o nariz, se popularizou nos últimos anos e também nas redes sociais. Ela é anunciada como uma cirurgia simples, com anestesia local, mas especialistas alertam que ela precisa ser feita exclusivamente por médicos e requer uma série de cuidados.
Em 2020, uma esteticista fez o procedimento com um dentista e perdeu parte do nariz após um processo de necrose. O profissional foi indiciado pela Polícia Civil por lesão corporal gravíssima e exercício ilegal da medicina. Ele afirma que o problema não foi decorrente do procedimento, e sim de complicações relacionadas à saúde da paciente.
A alectomia é um procedimento que corta a base das asas nasais, conhecidas popularmente por narinas, e a reposiciona, retirando pedaços da pele, para afinar o nariz. Ela tem apenas função estética e não deve ser feita de maneira isolada.
“A alectomia é o refinamento da cirurgia de rinoplastia. Se você diminui uma área, você projeta outras, como a ponta do nariz, por exemplo, e o paciente nem percebia isso”, disse Claudiney Candido Costa, otorrinolaringologista e chefe do Serviço de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clinicas e do Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer).
Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o cirurgião Urias Carrijo faz a analogia da cirurgia como a construção de uma casa. “Para mexer na base, tem que mexer nas outras estruturas, como o dorso, a ponta. Se você mexe só em uma parte, corre o risco de desabar”, afirmou.
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Cirurgias de alectomia — Foto: Reprodução/Bem Estar
Apesar de anunciado em redes sociais por outros profissionais, a alectomia deve ser feita exclusivamente por médicos. O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) disse que combate o exercício ilegal da profissão ,propondo ações e medidas em diferentes âmbitos.
A presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) em Goiás, Raquel Eckert Montandon, aponta que a população deve ficar atenta aos anúncios feitos em redes sociais. “Os profissionais divulgam em redes sociais, mas essa é uma forma altamente não confiável. É necessário verificar se os profissionais têm a qualificação necessária e isso pode ser feito no site da SBCP”, explicou.
O Conselho Regional de Odontologia informou que “os cirurgiões-dentistas têm autorização para a realização de procedimentos estético-faciais, desde que não sejam cirúrgicos puramente estéticos” e que a alectomia nunca esteve entre os procedimentos listados como permitidos para cirurgiões-dentistas.
Já uma resolução de agosto de 2020 proibiu expressamente a realização de alectomia por dentistas.
“O nariz é uma estrutura complexa, o ideal é que seja feita em um centro cirúrgico. E uma vez causado algum dano o processo de reconstrução é muito mais complexo”, disse Carrijo.
Entre os riscos apontados pelos especialistas estão:
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Entenda como é feita a Alectomia, cirurgia de redução das asas nasais — Foto: Daniel Ivanaskas/G1
O primeiro passo é procurar um profissional especializado no procedimento. No site do Conselho Regional de Medicina é possível consultar o nome do médico e verificar se ele está habilitado para aquela especialidade.
Para se especializar nessa área, os médicos fazem três anos de residência, além de um ou dois anos de pós-graduação.
“É preciso fazer toda uma análise se o paciente também tem problemas de saúde que podem interferir no resultado da cirurgia”, disse o otorrinolaringologista.
A presidente da SBCP destaca que a população tem um papel importante nesse processo, se informando corretamente. Além disso, explicou que a entidade tem atuado para conscientizar a sociedade.
“A população precisa ter discernimento na hora da escolha, desconfiar se o preço está muito abaixo do marcado, se o profissional tem a competência necessária. A SBCP também faz constantemente campanhas de informação sobre o tema”, disse.
Quando há complicações no procedimento estético, a primeira etapa é recuperar a funcionalidade do nariz, possibilitando a respiração do paciente. Se houver necrose, por exemplo, é necessário fazer enxertos de pele e reconstrução das narinas.
O procedimento de reconstrução é extremamente complexo.
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